Sua dose diária de dois parágrafos sobre aquele filme que você está pensando em assistir.
Meia-noite em Paris (Midnight in Paris) - 2011 - ★★★★★
Dirigido por Woody Allen. Com: Owen Wilson, Rachel McAdams, Michael Sheen, Carla Bruni e Marion Cotillard.
A frase “tudo pode acontecer na cidade-luz” talvez nunca tivesse sido usada tão bem por um cineasta americano; quando Woody Allen coloca um pouco de si na personagem de Owen Wilson, demonstra seu próprio amor por Paris; retratada aqui como berço cultural do século XX. Contando com nomes do porte de Hemingway, Fitzgerald, Dalí, Buñuel e Picasso como personagens secundários; o vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original é uma sincera e bela homenagem nostálgica da capital francesa.
Além disso, é a prova de que o mais internacional dos diretores nova-iorquinos, aos 76 anos, ainda é capaz de surpreender. Mesmo que ao olhar sua filmografia recente, vemos desde “Igual a Tudo na Vida” um padrão: dois filmes razoáveis para cada filme bom. Será que a lógica se mantém? Torcemos para que não e para que seu próximo projeto (que já conta com Penélope Cruz e Ellen Page) seja tão bom quanto este.
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woody allen midnight in paris 2011 meia-noite em paris
Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo (Mas Tinha Medo de Perguntar) / Everything You Always Wanted to Know About Sex (But Were Afraid to Ask) - 1972 - ★★☆☆☆
Dirigido por Woody Allen. Com Woody Allen, John Carradine, Burt Reynolds e Gene Wilder.
Um dos primeiros trabalhos de Woody Allen; o filme não é péssimo. Baseado no livro de mesmo nome do médico David Reuben; tem como problema o fato de não demonstrar unidade; sua formatação dividida em sete capítulos que tratam de temáticas distintas dentro do arco sexual peca ao atrapalhar o ritmo da narrativa.
Ainda assim, rende algumas poucas risadas. A sequência do médico interpretado por Gene Wilder (o Willy Wonka original) apaixonado por uma ovelha; e a do personagem de Allen fugindo de um seio gigante te tiram boas risadas. Porém, o resto da experiência é maçante; fruto de um jovem Woody Allen ainda aprendendo a transformar seu humor ácido em Cinema (algo já mais desenvolvido em seu próximo filme; “O Dorminhoco”).
P.S.: É dele a famosa cena de Woody Allen interpretando um espermatozóide.
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woody allen 1972 everything you always wanted to know about sex Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo
Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry) - 1997 - ★★★★☆
Dirigido por Woody Allen. Com Woody Allen, Kirstie Alley, Stanley Tucci, Demi Moore, Tobey Maguire, Richard Benjamin, Amy Irving, Robin Willians e Billy Crystal.
“Desconstruindo Harry” deveria chamar-se “Desconstruindo Woody”. Se, por vezes, não sabemos o que é realidade e o que é fantasia no filme; também não sabemos o que é Harry Block e o que é Woody Allen. A narrativa que trata de inquietações e idiossincrasias do ser humano preza por mostrar um escritor que está com bloqueio criativo; bloqueio que é apenas um reflexo da estagnação de sua própria vida, de histórias mal-resolvidas. Harry tem de enfrentar todos seus problemas; a esposa (Kirstie Alley), o filho, ir a homenagem que sua antiga universidade (da qual foi expulso) vai lhe prestar, a irmã (judia ortodoxa), a memória do pai, o amigo que casou-se com uma antiga paixão.
O mais intrigante de “Desconstruindo Harry” é perceber que se as personagens de Harry Block são livremente inspiradas nas pessoas que já passaram na vida do mesmo; são também inspiradas em momentos da vida do próprio Allen. Como se o filme fosse uma auto-biografia auto-depreciativa. Somente quando passa por todos seus problemas é que Harry pode encontrar suas próprias personagens; e aí então receber os aplausos que todos os seus próximos nunca lhe deram, como num grande “eu te perdôo” de todas as pessoas que já lhe foram próximas. Também é interessante notar que se Harry sai do bloqueio ao final do filme, o próprio Woody Allen passou por uma fase inconstante após “Desconstruindo Harry”, só ultrapassada com a realização de “Match Point”, em 2005.
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deconstructing harry desconstruindo harry 1997 woody allen
Match Point - Ponto Final (Match Point) - 2006 - ★★★★★
Dirigido por Woody Allen. Com Jonathan Rhys-Meyers, Scarlett Johansson, Emily Mortimer, Brian Cox e Matthew Goode.
‘Match Point’ é um marco na carreira de Woody Allen; após uma série de comédias inconstantes durante o começo dos anos 2000, foi quando apostou em um suspense que o diretor acertou em cheio. Com uma trama que preza pela dualidade e dubiedade do mundo; são os personagens do filme que chamam a atenção, todos sendo de caráter duvidoso (estranho perceber que ao fim do filme, a personagem que mais simpatizamos é a de Scarlett Johansson - linda como nunca).
Woody não tem medo em aprontar grandes reviravoltas no roteiro e de brincar com os genêros do Cinema, conduzindo a obra de forma impecável. Brincando com a fotografia de Londres e remetendo a um modo clássico de fazer Cinema (lógico que com suas tradicionais referências a Shakespeare e Dostoiévski), Woody Allen mostra força, outra vez, na preparação de seu elenco de, até então, semi-desconhecidos. Se a carreira de Scarlett foi impulsionada pelo filme, a de Jonathan Rhys-Meyers nem tanto; com pequenas paticipações em filmes como ‘Missão Impossível 3’ e ‘O Som do Coração’; já Emily Mortimer conseguiu a parceria de Scorsese em um par de filmes.
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ponto final woody allen 2006 match point
Manhattan (Manhattan) - 1979 - ★★★★★
Dirigido por Woody Allen. Com Woody Allen, Meryl Streep, Diane Keaton, Mariel Hemingway e Michael Murphy.
Meryl Streep é a ex-mulher, Mariel Heingway é a namorada adolescente e Diane Keaton é o affair cult. O lucky guy só podia ser Woody Allen. “Manhattan” talvez seja a mais forte tentativa de Allen de fazer um filme-arte; vide a fotografia em preto-e-branco, a trilha sonora de Gershwin. Mas não pense que isso impede o diretor de tratar de seus temas usuais; o sexo, a morte, o judaísmo, as infinitas citações artísticas e, é claro, os comentários ácidos sobre a sociedade.
É chover no molhado elogiar o que é usual em Woody Allen; os diálogos, o timing cômico, as tramas paralelas, a preparação do elenco. O que é diferente em “Manhattan” é a pretensão pelo clássico; se hoje vivemos um momento nostálgico no Cinema (é só ver três indicados ao Oscar este ano; “O Artista”, “Hugo” e “Meia-noite em Paris), em 1979 não podemos dizer o mesmo. Há mais de 30 anos atrás, Allen já previa que, quando a saudade chegasse, “Manhattan” seria considerada a obra definitiva sobre a cidade de Nova York. E ela está chegando.